segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Professores contratados estão no desemprego. Centros de Emprego registam afluência de milhares de professores desempregados





Milhares de professores estão hoje nos centros de emprego de norte a sul do país para receberem o subsídio de desemprego
 
Os docentes em causa terminaram o contrato com o Estado a 31 de agosto e estão nesta altura sem qualquer vínculo, isto é, no desemprego.
No centro de emprego de Vila Nova de Gaia eram 4 horas da manhã quando chegaram os primeiros professores chegaram ao local
 Neste centro de emprego, César Paulo, presidente da Associaçao Nacional de Professores Contratados, ouvido pela TSF, acusou o Governo de deixar os docentes numa situação precária durante décadas.
 
Informação da TSF
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Associação Nacional de Professores Contratados
A ANVPC tem por propósito intervir na política educativa de forma a salvaguardar os direitos e interesses dos Professores Contratados, interpretando a Educação como um dos pilares fundamentais da nossa sociedade, que se constitui como um elemento crucial para responder às exigências competitivas de um novo mundo caraterizado pela tecnologia, pela globalização e pela comunicação.
A realização do nosso desígnio assenta na melhoria da qualidade do serviço educativo e das aprendizagens, bem como na valorização e no desenvolvimento pessoal e profissional dos docentes, como condições essenciais do prestígio e da dignificação da profissão docente e na promoção de um ambiente de estabilidade, de confiança e de colaboração ativa na escola.
 
 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

À Memória de Rachel Corrie



( nunca esqueceremos a tua solidariedade)

Rachel Corrie era uma rapariga estudante norte-americana de 23 anos que, por solidariedade internacional, se deslocou a Rafah, na Palestina, quando os tanques e as tropas israelitas invadiram, ocuparam terras palestinianas, destruindo e matando pessoas e bens.
Em 16 de Março de 2003 numa tentativa para travar essa onda de destruição e morte, Rachel colocou-se à frente de um bulldozer do exército israelita para evitar o derrube de mais uma casa de uma família palestiniana. Foi então que o potente bulldozer avançou, matando Rachel, o que constituiu um verdadeiro assassínio deliberado.

O veículo usado é da marca Caterpillar que continua a vendê-los a Israel, apesar de todos saberem que são usados para derrubar casas palestinianas e árvores, em especial oliveiras., causando prejuízos incalculáveis.

Os amigos e companheiros de Rachel decidiram assim, em sua memória, escrever uma carta à Caterpillar a fim de lhe solicitar que deixe de vender aquele tipo de máquinas para Israel.

Esta previsto ainda um meeting à frente das instalações da Caterpillar para daqui a um mês ( a 16 de Abril) com a apresentação de provas dos danos causados com este tipo de vaículo por parte do israelitas.


Website dedicado a Rachel Corrie :
http://www.rachelcorrie.org




Reproduz-se o conteúdo da carta que irá ser enviada à empresa Caterpillar. Todos que quiserem solidarizarem-se poderão igualmente , utilizando o mesmo modelo de carta, escrever uma carta a fim de prestar solidariedade à memória de Rachel, e de todos os palestinianos vitimas do arbítrio e da violência do Estado e do Exército israelita:


Caterpillar Financial Services Ltd,
2405 Stratford Road, Solihull B94 6NW
8 March 2005
Dear Sir/Madam,
RE: Anniversary of Rachel Corrie's death
Two years ago, a 23-year-old American student named Rachel Corrie was crushed to death as she tried peacefully to prevent the destruction of a Palestinian family home in the Rafah refugee camp, Gaza.
The bulldozer which killed her was made by your company. Unfortunately, despite international protests by human rights groups, your organisation continues to sell the D9 Armored Bulldozer to Israel, whose government has continued to use it to demolish homes and agricultural areas in the occupied territories, in contravention of numerous UN resolutions and international law.
On behalf of the Palestine Solidarity Campaign we are therefore writing to let you know that a small group of us intend to lay a wreath at your offices on 16th March, the anniversary of Rachel Corrie's death. We would like an opportunity to meet with representatives of the management to talk to them about Rachel's life and death and to urge Caterpillar to stop doing business with Israel until it respects the human rights of the Palestinian people.
Yours faithfully,

A Sonae superou a antiga CUF !



Pelos dados fornecidos ultimamente chega-se à conclusão que o actual grupo económico português, onde pontifica o capitalista Belmiro de Azevedo, registou 6,63 mil milhões de euros de facturação no ano de 2004.

Comparativamente com o grupo da CUF, que dominava a economia portuguesa durante o regime de Salazar-Caetano, a actual Sonae representa, em termos percentuais, mais no PIB nacional que a CUF em 1974.

Se nos recordarmos que o regime político derrubado em 1974 se caracterizava por uma economia fortemente proteccionista e corporativa, associando estreitamente o poder económico e o poder político ( falava-se de capitalismo monopolista de Estado), podemos facilmente concluir que hoje em dia o cenário é substancialmente o mesmo em termos de poderio económico e de orientação política.
Notícia do Expresso:

Sonae vende 5,2 % do PIB português

HÁ 30 anos, o grupo CUF representava 5% do PIB e empregava 110 mil trabalhadores. Hoje, a Sonae vale 5,2% do PIB nacional e 35% dos €6,63 mil milhões da sua facturação resultam do exterior. Em 12 países emprega 58 mil pessoas, um pouco mais de metade em Portugal.

Harold Pinter deixa o Teatro para criticar e denunciar os políticos


O conhecido dramaturgo inglês considera que o actual clima político é muito preocupante

O dramaturgo Harold Pinter, uma das figuras mais importantes não só do teatro mas da cultura britânica de todo o século XX decidiu abandonar a actividade criadora para dedicar-se, a tempo inteiro a criticar a "preocupante" forma de actuar dos políticos.

Pinter, de 74 anos, autor de obras como "A festa de aniversário" (1958), "O porteiro" (1960) ou "Velhos tempos" (1971), confessou que, depois s de 29 peças teatrais, continuará a escrever poemas, mas não peças de teatro.
O clima político actual «é muito preocupante», declarou Pinter à cadeia BBC ao explicar a sua decisão

Quando jovem, Harold Pinter sempre assumiu o seu antimilitarismo e negou, inclusivamente a fazer o serviço militar, invocando a objecção de consciência.

O seu activismo político e pacifista tem vindo a ser cada vez mais notório com a invasão e ocupação do Iraque ao ponto de ter qualificado Tony Blair como «criminoso de guerra» que gosta de exibir um repugnante sorriso cristão, segundo as palavras do dramaturgo.
Também não poupou os Estados Unidos que, sob a liderança de George W.Bush, considera ser um país dirgido por um bando de delinquentes.

Recorde-se que, alguns meses atrás, Harold Pinter juntou-se a um grupo de pessoas, entre as quais o actor Corin Redgrave, e o produtor discográfico Brian Eno, para assinar um pedido de impugnação de Blair, como primeiro-ministro.

Harold Pinter mostrou-se também muito crítico nos últimos dias a propósito da polémica lei antiterrorista recentemente aprovada pelo Parlamento inglês que reforça o poder do ministro do Interior, e das autoridades policiais, em detrimento do poder dos juízes para fins de busca domiciliária a simples suspeitos.

(post de 16/3/2005)



Brevíssimo panorama das Artes Plásticas pós-1945

Expressionismo Abstracto
Uma das consequências da II Grande Guerra foi a transferência do centro artístico de Paris para Nova Iorque que assistiu ao rápido florescimento da arte norte-americana por efeito de diversos factores entre os quais a emigração de artistas e a receptividade e potencialidades existentes nos EUA para as propostas mais experimentais.
Não admira que a chamada Escola de Nova Iorque tenha marcado a época, com nomes como Arshille Gorky (1904-1948), que utilizou o automatismo surrealista numa vertente mais abstracta a estabelecer a transição para o Expressionismo Abstracto, valorizando mais o processo que o produto do seu trabalho, assim como são de apontar nomes como Robert Motherwell (1915-), Willem de Kooning (1004-), que é uma das figuras mais proeminentes do Expressionismo Abstracto americano, e principalmente Jackson Pollock (1912-1956), este último por ter desenvolvido o automatismo pictórico, a action painting (pintura de acção), e novas técnicas como o dripping, que consistia em verter tinta ou deitar pingos e manchas sobre a tela.
Outros artistas como Barnett Newman (1905-1970), Mark Rothko (1903-1970), Franz Kline ( 1910-1962) e Clyfford Still (1904-1980) inspiraram-se mais nos princípios do abstraccionismo ( de Malevitch ou de Mondrian).
Arte Informal
Simultaneamente desenvolveu-se na Europa uma tendência igualmente abstracta e expressionista designada por Arte Informal, uma pintura sem formas, sem quaisquer referências figurativas ou geométricas. Dentro desta tendência encontramos o Tachismo ( do francês tache, mancha) de Henri Michaux (1899-1984) e Hans Harting (1904-1989) que traduzem o impulso criativo em manchas e em grafismo automáticos de inspiração oriental.
Outra linha artística foi desenvolvida pela «pintura matérica» de Jean Fautrier (1898-1964) e Jean Dubuffet (1901-1985) cujos processos expressivos misturam diversas matérias e substâncias sobre a tela
Dubuffet designou a sua pintura de Arte Bruta, não só pelo modo de emprego dos materiais, mas também por aspirar a uma arte «em bruto», primitiva, infantil, sem referência culturais ou artísticas.
Este mesmo espírito «brutalista», primitivista e existencialista presidiu à fundação do grupo CoBrA ( as iniciais de Copenhaga; Bruxelas e Amsterdão, cidades dos seus mentores) em 1948, por Karl Appel (1921-1949), Asger Jorn (1914-1973) e Pierre Alechinsky (1927-1958), entre outros. Inspiram-se no imaginário fantástico do folclore nórdico e na simbologia mística.


Novo Realismo

Nos finais da década de 50 surge em Paris uma reacção contra o gestualismo do Expressionismo Abstracto e as metamorfoses anamórficas da Arte Informal, apelando a uma relação mais próxima com a realidade e os assuntos do quotidiano.
O Novo Realismo foi a designação encontrada pelo crítico Pierre Restany para dar a conhecer o manifesto do Novo Realismo publicado em1960, defendendo «a apaixonante aventura do real captado em si mesmo e não através do prisma da transcrição conceptual ou imaginativa», e referindo-se aos trabalhos de Arman (1928-), César (1921-), Yves Klein (1928-1962) e Daniel Spoerri (1930-), entre outros, que se caracterizavam pela utilização de objects trouvés (objectos recolhidos no quotidiano) segundo a técnica de assemblage, isto é, composições de objectos e materiais desperdiçados, fragmentos montados e reorganizados, cartazes rasgados e descolados, numa experiência estética com fins poéticos que propunha uma reflexão nova sobre o objecto e sobre a vida.

Foi com fundamentos similares, e reabilitando igualmente a representação figurativa, que se desenvolveu a Pop Art ( abreviatura de popular art), um movimento que inspira o seu programa na cultura urbana, nos mass media e nos objectos produzidos pela sociedade de consumo. Se bem que tenha sido e Inglaterra que, em 1956, Richard Hamilton (1927-1967) apresentou «O que é que faz exactamente os lugares de hoje tão diferentes, tão atractivos?», uma collage de grande alcance crítico relativamente ao consumismo, foi nos EUA que a Pop Art exprimiu todo o seu significado.
A partir dos seus precursores, Robert Rauschenberg (1925-) e Jasper Jones (1930-) que ensaiaram a transformação de produtos banais em objectos artísticos, nomes como Tom Wesselmann (1931-) com os seus «Grandes Nus Americanos», James Rosenquist (1933-), reelaborando o universo de imagens estereotipadas da cultura urbana, Claes Oldenburg (1929-), com ampliações dos ícones americanos, Roy Lichtenstein (1923-1997), com o uso da Banda Desenhada, mas principalmente, Andy Warhol (1928-1987) converteram a Pop Art num fenómeno genuinamente pop, experimentando novas técnicas como a fotomontagem e a serigrafia, sempre com um sentido irónico.

Nos finais dos anos 60 surgia outra manifestação do realismo contemporâneo: o Hiper-realismo que acentua a sua aproximação ao mundo, reproduzindo-o meticulosamente com uma «objectividade fotográfica» ( a partir de colossais ampliações fotográficas), tornando a realidade insustentavelmente real. Nomes: Richard Estes, Chuck Close.


Arte Cinética


A Arte Cinética ( do grego Kinesis,movimento) associa-se à obra de Alexander Calder ( 1898-1976), um escultor americano que, a partir dos anos 30, conferiu mobilidade às suas esculturas, suspendendo no tecto elementos metálicos unidos uns aos outros por arames. Os «mobiles» integravam o movimento como factor primordial de manifestação estética da obra.. Calder também executou estruturas apoiadas no solo, os «stabiles» que deixavam transparecer igualmente uma forte dinâmica através da articulação entre a forma e açor.

Op Art

Esta linha estética foi prosseguida com a Op Art ( abreviatura da Optical Art) por via dos trabalhos de Victor Vasarely (1908-) e Bridget Riley (1931-). Convocando a participação involuntária do espectador, estas obras privilegiam os elementos visuais sobre os expressivos, produzindo uma série de efeitos e ilusões ópticas, de modo a gerar sensações de movimento e a provocar a sua instabilidade perceptiva.

Minimalismo


Talvez como resposta à explosão iconográfica da sociedade de consumo e da cultura pop tenha emergido o silêncio e a acção mínima com a redução dos efeitos expressivos da obra à simplicidade extrema. Tal foi a proposta da Minimal Art, que se desenvolve nos EUA ao longo das décadas 60 e 70, e caracterizando-se pela apresentação de objectos unitários, repetição de estruturas primárias, matrizes lineares e grelhas com uma precisão matemática, cujas formas eram integradas e relacionadas com o espaço envolvente, invocando uma experiência física do espectador com a obra. Artistas como Donald Judd (1928-1994),Richard Morris (1938-), Dan Flavin (1933-), Rochard Serra (1939-), Carl André (1935-) e Sol LeWitt (1929-) privilegiaram a ordem, a clareza, e a simplicidade em trabalhos puramente abstractos, objectivos e anónimos, já que a indiferença do artista perante a obra é uma das características do Minimalismo.

Arte Conceptual


A utilização de meios mecânicos e das tecnologias modernas na produção artística distanciava cada vez mais os artistas da execução da obra, fazendo prevalecer a ideia ou o suporte conceptual que a gerara. Sol LeWitt fixa em 1968 o termo de Arte Conceptual para se referir a um projecto artístico no qual a «ideia» era mais importante do que «a obra» em si.
A Arte Conceptual tornou-se então num fenómeno artístico a partir de 1965 ao abolir radicalmente o «objecto artístico» e desviando a atenção para o processo, e toda a documentação que o acompanha, como textos, mapas, diagramas, vídeos, fotografias, perfomances que são exibidos numa galeria ou num local específico.
Este entendimento do «artista conceptual» como um fazedor de ideias mais do que objectos, tal como foi definido por Joseph Kosuth (1945-), Lawrence Weiner (1940-) ou Victor Burgin ( 1941-) veio fragilizar as noções tradicionais de artista e objecto artístico, questionando a própria linguagem da arte.

Land Art ( Artes da Terra)

Todo este questionamento provocou uma série de novas experiências artísticas que marcaram os finais dos anos 60 e inícios dos anos 70, e que rejeitando a impetuosidade do informalismo assim como o kitsch legitimado da Pop Art, pretendiam renovar e transgredir as normas e os conceitos estabelecidos, alargando a actividade artística a campos e a universos até então inexplorados. Estas novas expressões vão aspirar a uma liberdade total e a expandir a sua acção a operações de todo o género. Para tal apropriam-se das paisagens, dos ambientes, das tecnologias, dos materiais e de todas as linguagens para introduzir o puro acto estético. Estamos em pleno processo de desmaterialização do objecto artístico.

Um exemplo foi dado pela Land Art ( Artes da Terra), que abandonam o atelier e reformulam a linguagem da arte.. A Land Art tem como protagonistas, entre outros, Robert Smithson (1938-1970), Michael Heizer, Richard Long (1945-), Walter de Maria (1935-). Os seus earthworks (trabalhos da terra) caracterizam-se por intervenções de carácter efémero na paisagem, rural ou urbana, reelaborando a natureza e inscrevendo a sua presença física no território.

Arte Povera


A Arte Povera (Arte Pobre), de origem italiana, que emerge a partir de 1967, explora as propriedades físicas e químicas de materiais vulgares e insignificantes, numa tentativa de fundir a natureza com a cultura. Nomes como Mário Merz (1925-), Michelangelo Pistoletto (1933-), Giuseppe Penone ( 1947-) propuseram uma reflexão sobre a vida contemporânea e sobre a relação do home com a envolvente, numa atitude precária, anti-informal e anticomercial que se limitava à interpretação da matéria e das qualidades físicas do meio e dos elementos naturais.

Perfomances e Happenings

A ideia de que o objectivos da arte não é representar a vida mas sim fazer parte dela, constitui uma das novas e mais persistentes tendências contemporâneas.
Joseph Beuys (1921-1986) foi um dos pioneiros de «acções publicas» ou happenings, a forma mais incisiva de interferência artística na vida e no quotidiano. Beuys utilizava nas suas perfomances materiais insólitos e pouco ortodoxos, subvertendo-lhes o sentido e associando-os a ideias, conceitos, valores, etc.

O Happening (acontecimento) foi criado por Allan Kaprow (1927-) e praticado por artistas como Claes Oldenburg (1929-), Jim Dine (1935-), etc, consistindo numa representação teatral, improvisada ou encenada, integrando a envolvente e o próprio espectador na sua acção.

Body Art
Quando o artista integra o seu próprio corpo na perfomance temos a chamada Body Art, tal como acontece com os artistas Vito Acconci (1940-), Arnulf Rainer (1929-), Dennis Oppenheim (1938-).


(excertos do livro de Paulo Simões Nunes, História da Arte, ed. Lisboa)

As mulheres do Kerala contra a Coca-Cola


Artigo de Vandana Shiva, publicado no Le Monde Diplomatique, de Março de 2005.

Vandana Shiva é Diretora da Research Foundation for Science, Technogloy and Ecology (Índia),
e autora de
A Guerra da Água, L’Aventurine, Paris, 2003
e de A Vida não é uma Mercadoria, L’Atelier, Paris, 2004.


Na Índia, um movimento composto maioritariamente por mulheres impõe derrotas à gigante dos refrigerantes, que explora lençóis freáticos, polui rios e terras e oferece bebida com pesticidas

Expulsa em 1977 pelo governo, a Coca-Cola voltou à Índia em 23 de Outubro de 1993, ao mesmo tempo que outra multinacional norte-americana, Pepsi-Cola se instalava no país. As duas empresas possuem actualmente noventa “unidades de engarrafamento”, que são na realidade nada mais que “unidades de bombeamento”: 52 unidades pertencem à Coca-Cola e 38 à Pepsi-Cola. Cada uma delas extrai entre 1 milhão e 1,5 milhão de litros de água por dia.
Justamente por causa dos seus procedimentos de fabricação, estes refrigerantes apresentam riscos incontornáveis. Primeiro porque o bombeamento dos lençóis praticado por aquelas empresas de engarrafamento despoja os pobres do direito fundamental de dispor de água potável. Depois, porque as empresas lançam dejectos tóxicos que ameaçam o meio ambiente e a saúde pública. Finalmente, porque as sodas são bebidas notoriamente perigosas para a saúde – o Parlamento indiano estabeleceu uma comissão parlamentar mista encarregada de investigar a presença de resíduos de pesticidas.


Exploração poluidora

Durante mais de um ano, as mulheres das tribos de Plachimada, no distrito de Palaghat, no Kerala, organizaram uma série de sit-in para protestar contra a secagem dos lençóis freáticos pela Coca-Cola. “Os habitantes”, escreve Virender Kumar, jornalista do diário Mathrubhumi, “levam sobre a cabeça pesadas cargas de água potável que eles precisam de buscar longe, enquanto camiões cheios de refrigerantes saem da unidade fabril da Coca”. Esta empresa bombeia um milhão de litros de água por dia e às vezes mais. As mulheres são obrigadas a percorrer de cinco a seis Km para buscar água potável, enquanto, ao mesmo tempo, vêm sair das instalações da fábrica entre oito e nove camiões carregados de refrigerantes. Recorde-se que são necessários nove litros de água potável para se fazer um litro de Coca.
As mulheres adivasi de Plachimada começaram seu movimento logo depois da abertura da fábrica da Coca-Cola, cuja produção deveria atingir, em Março de 2000, 1.224.000 garrafas de Coca-Cola, Fanta, Sprite, Limca, Thums up, Kinley Soda e Maaza. O panchayat local havia concedido, sob algumas condições, a autorização para extrair a água com o auxílio de bombas motorizadas. Mas a multinacional pôs-se a extrair, em completa ilegalidade, milhões de litros de água pura em mais de seis poços perfurados por sua conta e equipados com poderosas bombas eléctricas. O nível dos lençóis freáticos baixou drasticamente, passando de 45 metros para 150 metros de profundidade.
Não contente em roubar a água da colectividade, a Coca-Cola poluiu o pouco que restou, despejando as águas emporcalhadas nas perfurações a seco feitas nas suas instalações para enterrar os dejectos sólidos. Antes, a empresa depositava os dejectos do lado de fora, embora, na estação das chuvas, a sua disseminação nos arrozais, nos canais e nos poços constituísse uma ameaça das mais sérias para a saúde pública. Actualmente as coisas mudaram. Mas a contaminação das fontes aquíferas não é menos grave.

Fábrica de doenças

Essas práticas resultaram na secagem de 260 poços, cuja escavação tinha sido garantida pelas autoridades para servir às necessidades de água potável e para a irrigação agrícola. Nesta região do Kerala – chamada “celeiro de arroz”, em razão de um rico ecossistema dotado de água abundante – os rendimentos agrícolas diminuíram 10%. O cúmulo é que a Coca-Cola redistribui aos camponeses, sob forma de esterco, os dejectos tóxicos produzidos pela sua fábrica. Os testes efectuados, no entanto, mostraram que este esterco tem um forte teor de cádmio e de chumbo, substâncias cancerígenas.
Representantes de tribos e de camponeses denunciaram então a contaminação das reservas aquíferas e das fontes, além das perfurações efectuadas a torto e a direito que comprometeram gravemente as colheitas. Eles reivindicaram principalmente a protecção das fontes de água potável tradicional, dos mangues e mananciais, a manutenção das vias navegáveis e dos canais, o racionamento da água potável.Intimada a explicar-se sobre seus procedimentos, a Coca-Cola recusou-se a fornecer ao panchayat as explicações requeridas. Em consequência, este último notificou da suspensão de sua licença de exploração. De imediato, a multinacional tentou comprar o presidente da comissão, Anil Krishnan, oferecendo-lhe 300 milhões de rúpias. Em vão.
Todavia, se o panchayat lhe retirou a licença de exploração, a verdade é que o governo do Kerala continuou a proteger a empresa. E, além disso, entrega-lhe cerca de 2 milhões de rúpias (36 mil euros) a título de subvenção à política industrial regional. Em todos os Estados onde têm fábricas, a Pepsi e a Coca conseguem auxílios similares. Tudo isto para bebidas que têm um valor nutricional nulo, em comparação às bebidas indianas tradicionais (nimbu pani, lassi, panna, sattu...).

Impacto na economia

Além disso para confeccionar um xarope rico em açúcar, as empresas utilizam o milho, cuja produção já tem 30% destinados para servir de matéria-prima na fabricação industrial de alimentos para gado e de frutose. Isso diminui a quantidade para o consumo humano e, na realidade, priva os pobres de um produto de base essencial, com baixo preço. Em contrapartida, a substituição de edulcorantes extraídos da cana-de-açúcar, como o gur e o khandsari, lesa os paisanos a quem este produtos garantiam rendas e meios de subsistência. Em suma, a Coca-Cola e a Pepsi-Cola têm sobre a cadeia alimentar e a economia um impacto enorme, que não se resume ao conteúdo de suas garrafas.
Em 2003, as autoridades sanitárias do distrito informaram aos habitantes de Plachimada que a poluição da água a tornava imprópria ao consumo. As mulheres já o sabiam há algum tempo e foram as primeiras a denunciar essa “hidropirataria” durante um dharna (sit-in) diante dos portões da empresa.
Seduzido pela iniciativa das mulheres adivasi, o movimento desencadeou nos planos nacional e mundial uma onda de energias solidárias. Sob a pressão desse movimento cada vez mais poderoso e da seca que ainda veio agravar a crise da água, o chefe do governo do Kerala ordenou enfim, no dia 17 de fevereiro de 2004, o fechamento da empresa da Coca-Cola. As alianças arco-íris forjadas no início entre as mulheres da região terminaram por englobar o conjunto do panchayat. Por sua vez, o panchayat de Perumatty (no Kerala) apresentou no supremo tribunal do Kerala uma queixa contra a multinacional, em nome do interesse público
Nas mãos do Estado

No dia 16 de Dezembro de 2003, o juiz Balakrishnana Nair ordenou que a Coca-Cola cessasse os bombeamentos piratas no lençol de Plachimada. Os autos do julgamento valem tanto quanto a decisão em si mesma. De fato, o juiz especificou: “A doutrina da confiança pública repousa antes de mais nada sobre o princípio tácito de que certos recursos como o ar, a água do mar, as florestas têm para a população em sua totalidade uma importância tão grande que seria totalmente injustificado fazer delas objecto da propriedade privada. Os mencionados recursos são um dom da natureza e deveriam ser gratuitamente colocados à disposição de cada um, seja qual for sua posição social. Já que esta doutrina impõe ao governo a protecção destes recursos de tal maneira que todo mundo possa deles tirar proveito, ele não pode autorizar que eles sejam utilizados por proprietários privados ou para fins comerciais [...]. Todos os cidadãos sem excecção são beneficiários das costas, dos cursos d’água, do ar, das florestas, das terras frágeis de um ponto de vista ecológico. Enquanto administrador, o Estado tem por lei o dever de proteger os recursos naturais que não podem ser transferidos à propriedade privada”.
Em suma: a água é um bem público. O Estado e as suas diversas administrações têm o dever de proteger os lençóis freáticos contra uma exploração excessiva e, nesta questão, sua inacção é uma violação do direito à vida garantido pelo artigo 21 da Constituição indiana. A Corte Suprema sempre afirmou que o direito de gozar de água e de ar não poluídos é parte integrante do direito à vida definido nesse artigo. Por outras palavras, mesmo na falta de uma lei que regulasse especificamente a utilização dos lençóis freáticos, o panchayat e o Estado teriam de se opor à superexploração destas reservas subterrâneas. E o direito de propriedade da Coca-Cola não se estende aos lençóis situados sob as terras que lhe pertencem. Ninguém tem o direito de deles se arrogar numa grande parte, nem o governo tem qualquer poder para autorizar que entidades privadas extraiam esta água em tais quantidades.Daí as duas ordens emitidas pelo tribunal: a Coca-Cola cessará de bombear a água para seu uso num prazo de um mês ; o panchayat e o Estado garantirão que, passado este prazo, a decisão será aplicada.

A revolta das mulheres, que são o coração e alma do movimento, foi apoiada por juristas, parlamentares, cientistas, escritores... O movimento estende-se a outras regiões onde a Coca e a Pepsi bombeiam reservas aquíferas em detrimento dos habitantes. Em Jaipur, a capital do Rajahstan, depois da abertura da fábrica da Coca-Cola em 1999, o nível dos lençóis passou de 12 metros para 37,5 metros de profundidade. Em Mehdiganj, uma localidade situada a 20 Km da cidade santa de Varanasi (Benares), o nível freático baixou em 12 metros e os campos cultivados em torno da empresa estão desde então poluídos. Em Singhchancher, uma aldeia do distrito de Ballia (a leste do Utar Pradesh), a unidade da Coca-Cola poluiu por um longo período as águas e as terras. Em todo lugar o protesto organiza-se . Mas é preciso notar que, com cada vez mais frequência, as autoridades públicas respondem às manifestações com violência. Em Japiur, por exemplo, a célebre activista gandhiana Siddharaj Dodda foi presa em Outubro de 2004 por ter participado de uma marcha pacífica exigindo o fecho da fábrica.


Veneno engarrafado

À secagem dos poços, acrescentam-se os riscos de contaminação por pesticidas. O tribunal supremo do Rajahstan proibiu a venda de bebidas produzidas pela Coca e pela Pepsi, pois estas recusaram-se a detalhar uma lista de componentes, enquanto estudos mostraram que elas continham pesticidas perigosos para a saúde . As duas gigantes levaram o caso para a Suprema Corte da Índia, mas ela rejeitou o apelo, pelo que o tribunal do Rajahstan ordenou a publicação da composição precisa dos produtos fabricados pela Pepsi e pela Coca. Por hora, essas bebidas permanecem proibidas nesta região.Um estudo feito em 1999 pelo All India Coordinated Research Project on Pesticide Residue (AICRP) mostrou que 60% dos produtos alimentares vendidos no mercado estavam contaminados por pesticidas e que 14% entre eles continham doses superiores ao máximo autorizado. Tal constatação põe em questão o mito arraigado de que as multinacionais privilegiam a segurança e a confiabilidade, dando-lhes uma confiança recusada ao sector público e às autoridades locais. Este preconceito elitista contra a administração pública dos bens e dos serviços contribuiu para a aceitação da privatização da água. Na Índia, como em outros lugares do mundo, este recurso ao privado não permite que se forneça uma água de qualidade a um preço justo.

Democracia da água


No dia 20 de Janeiro de 2005, em toda a Índia, correntes humanas organizaram-se em torno de todas as fábricas da Coca-Cola e da Pepsi-Cola. Tribunais populares notificaram aos “hidropiratas” a ordem de deixar o país. O caso de Plachimada prova que o poder do povo pode impor-se sobre o das empresas privadas. Os movimentos pela preservação da água vão bem além. Eles dizem respeito também às barragens – e os planos de um grande projecto de ligação fluvial que prevê o desvio do curso de todos os rios da península indiana suscitam uma oposição crescente. Eles denunciam as privatizações encorajadas pelo Banco Mundial e a privatização do fornecimento de água em Delhi . É preciso notar que a pilhagem não poderia acontecer sem a ajuda de Estados centralizadores e corporativistas.
Esta batalha contra o roubo da água não diz respeito apenas à Índia. A superexploração dos lençóis freáticos e os grandes projectos de desvio de cursos d’água batem de frente com a preservação da Terra na sua totalidade. Para se ter uma ideia da questão, é preciso saber que se cada parte do planeta recebesse o mesmo nível de precipitações, na mesma frequência e segundo o mesmo esquema, as mesmas plantas cresceriam em toda a Terra e encontraríamos em todos os lugares as mesmas espécies de animais. O planeta é feito de diversidade. O ciclo hidrológico dos planetas é uma democracia da água – um sistema de distribuição para todas as espécies vivas. Sem democracia da água, não pode haver vida democrática.

Marketing Militar recrutou apenas 7 voluntários


Segundo informações do semanário Expresso o passado Dia D (Dia da Defesa Nacional, realizado no Outono passado), ao qual são chamados os jovens que fizeram 18 anos, e cuja comparência é obrigatória para os convocados (!!!), destina-se a sensibilizar os que tiveram o incómodo de se deslocar à Unidade Militar indicada para o alistamento voluntário na tropa e a escolha de uma carreira profissional dentro das Forças Armadas.

Segundo os dados do jornal de um universo de 70.000 jovens que perfizeram 18 anos apenas 55% o fizeram, isto é, só 8.361 indivíduos tiveram a paciência e as despesas de se deslocarem e se apresentarem nesse dia da Defesa. Nos inquéritos então realizados aos presente somente um quinto declarou interesse em apresentar uma pré-candidatura. Mas na prática, e até ao momento, o resultado daquela operação de Marketing Militar foi – imaginem-se – terem sido entregues umas escassas 7 candidaturas no ramo da Força Aérea, que recebeu, entretanto, 1.308 pedidos de informação.

Perante o caricato da situação os serviços do Ministério da Defesa vieram a informar o jornal que no Exército existem 12.800 voluntário, e que se prevê que em Abril próximo esse número cresça para 13.000, o que segundo as mesmas fontes ministeriais excedem as suas necessidades de 12.000 voluntários.


Resta recordar que o tal Dia D mobilizou consideráveis recursos financeiros e materiais que, pelos vistos, foi apenas para show-off...

(Fonte: Expresso de 12 de Março de 2005)