terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Somaterapia ou Soma

Somaterapia é uma terapia corporal e em grupo criada no Brasil pelo escritor e terapeuta Roberto Freire,  baseada na teoria de Wilhelm Reich, discípulo dissidente de Freud,  e no Anarquismo. 

A Soma entende o conflito neurótico - que gera conflitos e depedências - a partir das relações de poder presentes em vários níveis da sociedade. Assim, o anarquismo com ética filosófica procura permear a metodologia da Soma, permitindo a identificação do autoritarismo nas relações inter-pessoais.

 Além da teoria reichiana, a Soma também adopta a  Gestalt-terapia e as descobertas sobre a pragmática da comunicação humana   

A Somaterapia ou apenas Soma é um processo terapêutico em grupo, com ênfase na articulação entre o trabalho corporal e o uso da linguagem verbal. Utiliza ainda os conceitos de organização vital da Gestalterapia; os estudos sobre a comunicação humana da Antipsiquiatria e a arte-luta da Capoeira Angola. Eles servem como ferramentas que auxiliam as pessoas na elaboração de vidas mais livres e afirmativas.


O grupo funciona como um micro-laboratório social, no qual desenvolvemos uma analítica libertária do comportamento de cada um e sua relação junto ao outro. O processo dura até um ano e meio, com encontros periódicos (são quatro sessões mensais). A originalidade da Soma como terapia libertária está na vivência das práticas de liberdade como contraponto às relações sociais hierarquizadas e sua produção de subjetividades adoecidas.   

Website: AQUI  




segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Lord Byron (22 de janeiro de 1788 — 19 de abril de 1824)

 There is a pleasure in the pathless woods, 

There is a rapture on the lonely shore, 

There is society, where none intrudes, 

By the deep sea, and music in its roar: 

I love not man the less, but Nature more




Assalto ao navio Santa Maria (22 Janeiro de 1961)

 Foi há 63 anos

O navio  transatlântico "Santa Maria" foi tomado de assalto na madrugada de 22 de janeiro de 1961 por um punhado de 23 exilados políticos portugueses e espanhóis como desafio aos regime fascistas de Salazar  e de Franco

O navio foi rebaptizado "Santa Liberdade".






As manifestações mediáticas da política são para retardados ou a infantilização do eleitor

 «O que resta da política, tal como ela se apresenta nas suas manifestações mediáticas, é uma coisa sem nome para indivíduos tratados como intelectualmente retardados ou como crianças. O regime de infantilização do eleitor tornou-se uma regra, um jogo a que todos se vão acomodando. »

António Guerreiro, in Público 22/1/2016  

Para ler a crónica completa:

O carnaval político 

Foi um processo rápido e identificável numa geração (aceitando que o tempo de uma geração são 30 anos, por mais que a obsessão pelos “balanços” tenha vulgarizado uma ideia muito pouco rigorosa de geração), aquele que conduziu às campanhas eleitorais feitas segundo o modelo do carnaval. Mas a carnavalização a que assistimos desencantados é muito imperfeita, fica-se pelo mimetismo de algumas manifestações de superfície, longe de conseguir a inversão dos signos que é fundamental no rito carnavalesco: a Morte que se transforma em Vida, o Baixo que é tomado pelo Alto, o Ignóbil pelo Nobre, o assunto sério que se torna objecto do riso. O carnaval, nos seus rituais antigos, instaura um tempo da festa e cria um mundo alternativo; as eleições, pelo contrário, já não têm o poder de interrupção do tempo profano e não conseguem impor um espaço simbólico que faça concorrência ou transtorne o real. A carnavalização torna-se assim um espectáculo triste, às vezes grotesco. Ao ponto de, se aderimos a um candidato, evitarmos olhá-lo nas representações de bouffon a que ele inevitavelmente se presta. Reservamos o prazer de espectadores da palhaçada olhando para os candidatos concorrentes. Ou então fazemos um esforço para compreender melhor o que se passa e absolvemos com maior ou menor benevolência os protagonistas da carnavalização: o que se passa é que a campanha é o momento em que se exibem sem filtros nem pudor os restos da política, em que esta se torna objecto de uma comemoração mortífera (um carnaval tétrico) da sua condição espectral, isto é, da sua condição mediática, muito especialmente televisiva. A televisão tornou-se um encenador do carnaval político e de muitos outros carnavais. A antiga magia do pequeno ecrã está hoje limitada à encenação de um ininterrupto e pindérico carnaval. E é só isto, o espectáculo carnavalesco, que resta da política? Não. Temos também, para ajudar à festa, um outro factor coercivo: o princípio anti-político da “força das coisas”. O que resta da política nestes momentos festivos do jogo eleitoral é pouco mais do que a urgência da questão sobre o que fazer com o que resta da política, muito embora seja hoje um anacronismo recitar a ideia sartriana das “Élections, piège à cons” (ou seja, “Eleições, armadilha para idiotas”). A lógica da carnavalização significa a impossibilidade de uma repolitização do espaço político. O que resta da política, tal como ela se apresenta nas suas manifestações mediáticas, é uma coisa sem nome para indivíduos tratados como intelectualmente retardados ou como crianças. O regime de infantilização do eleitor tornou-se uma regra, um jogo a que todos se vão acomodando. Ele é cúmplice de um discurso hegemónico a que se chama “comentário político” e cujo modelo tanto é a palestra didática do mestre-escola sobre as margens anedóticas da política, como um divertimento à volta das manobras tácticas do jogo político. Há em todo este fenómeno — que ora é popular, ora é infantilizante, ora é carnavalesco — um autoritarismo doce e invasivo. Esta subcultura já forneceu matéria para um debate sobre os fascismos sem fascismo, sobre novas formas de fascismo que não são incompatíveis com as democracias liberais do nosso tempo. Este “novo fascismo”, profetizado por Pasolini, apresenta-se sob a forma de uma verdadeira política da felicidade e tanto pode ser identificado na transformação da política em entretenimento como numa “nova cultura” empresarial. Desta campanha eleitoral que hoje termina, o que sobra são os restos da política. Já nem é sequer a questão: o que resta da política?

https://www.publico.pt/2016/01/22/culturaipsilon/opiniao/o-carnaval-politico-1721063





Elinor Ostrom (Prémio Nobel da Economia) contra o mito da tragédia dos comu

Elinor Ostrom, Prémio Nobel da Economia em 2009, desafiou a teoria de Garrett Hardin (“The Tragedy of the Commons”) demonstrando a possibilidade de uma nova forma de gerir recursos comuns, em comunidade e de modo sustentável. 

 Contrariamente a Hardin, Ostrom prova-nos que um conjunto de bens comuns a vários indivíduos não é necessariamente mal gerido pelos seus utilizadores e que a privatização ou regulação por entidades externas não são as únicas, nem as soluções mais eficientes, para a gestão  sustentável dos recursos.

A teoria apresentada pela autora (“Common Pool Resource”) baseou-se em inúmeros  estudos empíricos com populações que realizam, com sucesso, a própria gestão de recursos comuns, como é o caso de stocks de peixes, pastos, bosques, lagos e bacias hidrográficas, entre outros.  

Ostrom concluiu que os resultados, neste tipo de gestão, são mais eficientes que o previsto pela teoria de Hardin, e que nestas comunidades o comportamento dos agentes distancia-se do egoísmo e individualismo apresentado na abordagem de Hardin  




 O grande  inimigo da arte é o bom gosto

 ( Le grand ennemi de l'art, c'est le bon goût. ) 

Marcel DUCHAMP




domingo, 21 de janeiro de 2024

 ÀS VEZES UM GRITO É MELHOR QUE UMA TESE 

Ralph Waldo Emerson


(sometimes a scream is better than a thesis.)


Ler:  AQUI